Cristo Em Nós



“Indo eles de caminho, entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa.” Lucas 10.38

                  Já faz algum tempo que me identifico com Marta. Gosto de falar com as pessoas. Gosto de convidar as pessoas para virem na minha casa. Gosto de receber as pessoas. Gosto de ajudar. Preparar refeições. Também me sinto pressionada com o peso daquilo que imagino que precisa ser feito e com a realidade efetiva na execução das coisas e no estabelecer das prioridades. E muitas vezes, me encontro agitada de um lado para o outro.
                 Durante oito anos vivi a realidade da Igreja no Templo, nos quatorze anos seguintes vivi a realidade da Igreja nas casas. Dois extremos que se complementam. O assunto é longo e teria muitas coisas para compartilhar das minhas observações e experiências nesses dois contextos. No entanto, nos últimos três anos Deus falou ao nosso coração aqui em casa  que iria juntar essas duas realidades e hoje, quero falar da Igreja na  casa, já que muitos estão sendo obrigados a voltar para dentro dos seus lares numa quarentena forçada.
                   Eu amo Jesus por muitas razões, mas a principal delas é pela forma como Ele comunica amor à humanidade. O Verbo Eterno que se fez carne e HABITOU entre nós. (João 1.14)
“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não HABITA em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais; de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus, se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós; pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.” Atos 17.24-28 
               Todos os dias somos chamados pelo Espírito Santo para um encontro real com Jesus dentro de nós. Desses encontros somos reenviados para as pessoas, as tarefas, nossas rotinas e responsabilidades. Desde a minha adolescência entendi que tudo na minha vida seria uma conseqüência da minha intimidade com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Fomos criados por um Deus relacional que ama se revelar aos Seus filhos, que enviou o Seu próprio Filho para ser o Sumo Sacerdote tornando-se o Caminho de volta ao Pai e que nos deixou um Consolador perfeitamente capaz de edificar cada um de nós. Aqui na terra, o Deus encarnado, o Filho que refletiu o Pai na forma que Ele vê, cada um de nós, pecadores e pecadoras, acolhidos pelo sacrifício de Jesus na cruz.
          Jesus hospedou-se na casa de Marta com o desejo de lhe revelar Seu coração. Maria teve olhos para ver quem estava diante dela, naquele dia comum em Betânia onde o Extraordinário entrou na sua rotina. Tempo depois, na morte de Lázaro, a dor e a escuridão vieram sobre essas duas mulheres comuns. E a maneira como cada uma lidou com o luto foi decorrência da escolha daquele outro dia. A consciência da habitação de Cristo em nós é uma revelação que somente o Espírito Santo pode nos trazer, a consciência da Sua Presença entre nós, na dinâmica da vida cotidiana também é algo que o Senhor quer nos trazer cada vez mais. A nós, cabe a escolha de inclinar os ouvidos e o coração à voz do Espírito Santo que deseja nos conduzir a Cristo todos os dias. Que nesse tempo onde muitos estão sendo obrigados a lidar com os vazios e as lacunas dentro de si que antes eram preenchidos com excesso de ativismo e entretenimento, nosso coração e ouvidos inclinem-se ao que o Espírito está dizendo às igrejas. A esperança da glória está em Cristo em nós. (Colossenses 1.27)


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